O som dos dez mil darmas
Ecoando em pequenas rugas
Sobre o lago infinito
sábado, 9 de março de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Uma canção que vem fundo
“Em tempos de chuva
pare de chover
chuva agora
cesse de uma vez”
cantava assim o menino.
“Boneco de pano
Teru Teru Bozu
peço a você
que pare de chover”
cantava assim o menino.
Ainda ouço esta canção
que vem de algum lugar
nem sei se vem de mim
se vem de outro lugar
sei que vem bem baixinho
bem devagarinho
sonolento
até que o menino
de olhos pesados
cai num sono profundo
e lá no fundo de sua alma
alguém continua a cantar
“Boneco de pano
Teru Teru Bozu...”
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Nas ruas que jamais andei
Nunca andei naquelas ruas
da cidade em que percorri
de calças curtas.
Nem as calçadas
me reconhecem mais
as pedras em que marquei
um dia
cuja pisada penetrou fundo
mas outras pisadas do tempo
acabaram por apagar
os rastros que desapareceram.
As casas desapareceram
em que bebi em cada cortina
o cheiro de café quentinho
coado em coador de pano.
Não ficou a saudade
de uma cidade desconhecida
e das caras que vejo agora
quem serão realmente?
Gerações passadas
quando as caras também
foram mudando
e desconhecendo as caras
do passado.
Quando passeio
pela sacada nada mais tenho
nem amigos do passado
nem o passado existe mais.
Meus pais velhinhos
me convidam a retornar
sem que nada mais me
leve a voltar para lá.
Senão por eles
único sinal que um dia
vivi naquele lugar.
Assim posso andar
sem reconhecimento algum
sem ser reconhecido
transparente aos olhos alheios
como fantasma.
Talvez seja eu o único fantasma
que do passado saltou
e se assusta por não conhecer
ninguém.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Avenida Paulista
Caminha a Avenida Paulista
Num derradeiro caminho da multidão
Que se confunde e se funde
Nas múltiplas caras desta cidade.
Vieram de outro país
Mas aqui
Ninguém se importa com os sons
De suas palavras
Imigrantes do outro lado do oceano
Da Muralha da China
Dos confins da Conchinchina.
Sobremaneira as emoções
Explodem além das janelas
Em que se ouve tocado nas ruas
Uma melodia das grandes cidades:
Blues.
Enquanto na banca de jornal
A notícia marcada de sangue
Acaba em instantes.
Se as mágoas existirem
São esquecidas
Entre os ruídos de carros
Freando inesperadamente
Numa curva da esquina.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Rede que balança
Escurece em instantes
dias de tempo instável
em que da parede
da vizinha de cima
uma rede é balançada
produzindo ruídos
do ferro esfregado.
Neste momento
nada mais existe
do que o som
monótono como chuva
penetrando na pele
e a esfregar junto.
Sou a rede que
balança.
Vizinhos da frente
Entre sussurros
os espelhos do elevador
não escondem os rostos
e a voz que ouço
infantil
diz
quem é este japonês?
Incômodo do outro
Ninguém se importa
com a presença
do mendigo
nem se trata
de um problema.
O problema
se trata
do mendigo que se
importa
com a indiferença
de todos.
O problema
é sempre do mendigo.
Os falsos pudores
Não são loiros
a loira tingida
mas que importa
se a vida não passa
de dissimulação.
Sem apegos
Livre para caminhar
onde as calçadas conduzem
seja nos becos
desses becos imundos
em que cães vadios
fizeram morada
seja nas avenidas
amplas de asfalto rosa
não importa onde seja.
Livre para sentir o
aroma dessas árvores
sem nome
as axilas das morenas
banhadas com água
de cheiro.
Livre para morrer
quando a morte chegar
num beijo frio
de despedida.
As paredes falam
Que procuro afinal
pelas paredes da zona norte
pudera fosse encontrar
um registro perdido
mas
sem nenhuma importância.
Se importante fosse
importante seria esta vida
vivida intensamente
em cada esquina.
Se (des)importante fosse
saborear então a brisa
que ligeira passa
entre os fios de barba
em semiconsciência.
À frente perdedores
Alguns são perdedores
por perderem
nada mais tem por
perder.
Nem perdem a vida
nem a morte
nem a noite
nem o dia.
Os passageiros de taxi
As quaresmeiras tingem
por instantes
os olhos no fundo
em que a cidade
inteira inicia janeiro.
A brancura dos carros
são taxis
conduzindo passageiros
que conduzem desejos
alguns esquecidos
outros nem tanto.
Os loucos perambulam
com suas mortalhas
a cobrir corpos chicoteados
pelo vento
ventania de paus
da segurança que guarda
segredos da casa em que vende
vinhos raros.
Pela contramão
uma ambulância avança.
Pela contramão
a vida passa ligeira
até que chega
passamento
passageiro do tempo
cansado de caminhar
seus pés machucados.
Pela contramão!
Sem muito mais
Um homem passou
levando uma marmitinha
tudo que tinha
cabia no fundo
no fundo da marmitinha.
Nada mais tinha
tinha o mundo inteiro
o céu e os mares
a amor das mulheres
das feias e lindas
solteiras e casadas.
-
Que mais queria ter
se tinha
tudo
numa marmitinha.
Os descaminhos da cidade
Naquela praça em que multidões
se formam
não se formou hoje.
Os uniformes cinzas da
polícia reúnem-se
no silêncio do dia
enquanto a cidade rumina
o gosto amargo do fumo.
Enquanto um sorriso
de pedra
da estátua do lado
traz encantamento
nos olhos de peixe
que se esparramam
pelas correntezas dessas
ruas que levam
a lugar algum.
Cidade que me consome
que mata a fome
no êxtase da cafeina
ainda borbulhante.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Levando a tiracolo
Por onde andará
A dona desse silêncio
Como que isso importasse
Que pudesse incomodar
Ou mudar alguma coisa.
Sem importância alguma
Ainda resta alguma lembrança
Que haverá de desaparecer
Um dia?
Mas o que poderá ser de mim
Se não tiver lembrança alguma?
Uma única lembrança
Carregada numa vareta
Levada aos ombros
Em derradeira viagem.
Ainda que esta lembrança
Seja um imenso vazio
Que fala todas as vozes.
Salve São Paulo
Pelas ruas sujas do centro
Ainda uma nostálgica visão
Toca incessante
Os olhos acostumados
Ao cimento armado
Dos edifícios que desmaiam
Sobre os viadutos serpenteando
Os sentimentos dos usuários
De ônibus que atrasam
Em tempos de chuva.
Maldita cidade
Que vai minando os poros
De um suor infestado
De gases carbônicos
De ácidos exalados
Dos canos desses motores
Que levam e trazem
Diariamente.
Bendita cidade
Que transforma o sofrimento
Em combustível
Que queima nos corações
Carburadores
Que criam energia
Elétrica
Atômica
Numa luta apaixonada
Em realizar a vida
Conquistada a duras penas.
Amada sobretudo
Pois odiada seria
Destruída por ela.
Amada simplesmente
Pois viver é necessário
Amada para ser amada
Também por ela.
Cidade madrasta
Cidade da mulher do lado
Em que os santos dormem
Ao lado das libertinas.
Benditas sejam
As pecadoras
De almas puras
Que nunca pensaram
Em ir para o céu.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Ruas de minha vida
Nestas ruas em que andava
Nem restaram as paredes
Em que rabisquei poemas
Num momento de tristeza.
Foi-se a tinta impregnada
De uma nata
Transbordante de emoções
De um passado
Destruído em instantes.
Ruas que deixaram de existir
Ruas que fizeram parte de
Minha vida
Enterrado nos escombros
Numa explosão de dinamite.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Final dos tempos
Que verdade há
Afinal
Na linha final
Do final do ano?
Se em janeiro continua
O verão
Derramando águas
Lavando as almas
Da fuligem do tempo!
Se começo
Nada mais acontece
Do que outros começos
Que acontece
A qualquer tempo!
As luzes desencantadas
Um faiscar desdenhoso
lâmpadas natalinas
derramando um leite
caudaloso
que sem gosto
deixou de agradar.
Ano Novo bom
Ao passar este ano
Ano Novo é desejável
como que o novo fosse acontecer
pudera que fosse verdade.
Esta febre que me acomete
que a minha pele não revela
mas presente nas entranhas
desconhece
que o Ano Novo acontece.
Que sinal revela
esta água que baixa
pelos canos do nariz?
Esta água que lá fora
inundou o jardim
prenuncia janeiro
transbordando pelas ruas
a invadir bueiros
e a desalojar os ratos.
O que parece novo
não se trata de uma esperança
uma esperança envelhecida
mas uma ilusão
que se renova.
Os poetas mortos
Estes amigos poetas
morreram todos
sem companhia para
poetar
minha companhia
com quem não converso
espera alguém
que pare de vez
de poetar.
Enquanto alguns esperam
As noites alongadas
pelas mesas dos bares
ficam cheias às sextas-feiras
ficam de bebedeira
os desiludidos
enquanto os iludidos
esperam o amanhã chegar.
Como que amanhã pudesse existir!
Queima a mata
Os bicos de fogo
continuamente acesos
em toda Mata Atlântica
queima metais pesados.
E a fumaça branca
num rastro ascendente
confunde-se com as nuvens
que começa a arder numa
chama sulfúrica
a queimar a ponta das folhas.
E a fumaça negra
num tropel de cavalos selvagens
a pisotear corpos
que perderam a natureza humana.
O mar
Quero ver o mar
e desesperadamente mergulhar
meu corpo insalubre
e lavar a alma.
Pudesse lavar
por um instante que fosse
meus karmas
de um passado inglório
em que bebi de licores
coloridos da ilusão!
Tempestade
Em cavalos negros
as nuvens de dezembro
cavalgam tempestades.
O que cavalgo neste momento
senão o dorso em febre
de meu próprio pensamento
que divagante conhece
o vento cortante
e a dureza das pedras.
Assim caminhava
Um andor do Senhor
dos Milagres caminhava
nos ombros de homens
que carregavam pesado
num andor carregado
de fé
de calor.
Homens que carregavam
o andor do Senhor
enquanto mulheres lamentavam
deixando um rastro de incenso
no ar carregado de sofrimento.
Homens que carregavam
todos os pecados do mundo.
Homens que pediam
um milagre
um andor do Senhor
dos Milagres caminhava.
De um bar do Peru
Este vozerio que espalha
pelas mesas do bar
tem o cheiro das sardinhas
que senti pela primeira vez
dos barcos a descarregar
suas redes carregadas
que vinham do mar.
Estas vozes que ouço
vem de um bar
vem de um cargueiro
dos pescadores solitários
que deixaram mulheres em terra
amores nas montanhas
nas planícies imensas
de areia e sal
que salgou todo o Peru.
Este sal que sopra
vem do mar.
Este vozerio vem
das mesas de um bar.
Os cristais partindo
Estes copos de champagne
transparentes
enfileirados
brilham uma brancura
de cal.
São tão irreais
derretendo ao calor da noite
em movimentos glaciais
corpos de uma mulher
prestes a partir um trincado
que se foi alongando.
Quando o tempo passa
Esta sensação de acabamento
do ano passado que passou
deixou pelos cantos
um rastro de poeira
que não se levanta
nem por encantamento.
Sem tempo para tristeza
que tomou rumo inesperado
foi-se de vez
para as águas profundas
lá no fundo do esquecimento.
Pudera em silêncio
descansar a cabeça aflita
docemente pairar nas velas
perdidas em alto mar.
Pode-se no mar
e embarcar nos redemoinhos
e girar a terra
e girar o sal
e tornar-se lama a ser moldada
de novo!
Como não dizer tudo
Ainda as palavras
em suas insubstancialidades
que como sombra varre
este chão que esconde
todos os sofrimentos
e alegrias
de uma poeira
que se assenta
e de novo se levanta
desenhando formas
de existência efêmera.
Minha vida passageira
poeira do tempo
poeira além das palavras.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Visita do tempo
Uma sensação gelada
Penetra pela imensa sala
De alguém conhecido
Desconhecido pelo tempo
Que se perdeu completamente
Por estas vias tortuosas
E clandestinas
Das ruas do centro.
Como um fantasma
De face inexpressiva
Sua voz vacilante
Remete a outras imagens
Que caíram no esquecimento.
Mas um dia
Novamente
Uma provocação insana
Salta da mente
Salta de um lugar
Que deixou de existir.
Esta poeira do tempo
Que penetra fundo
Nos olhos
Ainda incomoda
E todo esquecimento
Não passa de um desejo.
Penetra pela imensa sala
De alguém conhecido
Desconhecido pelo tempo
Que se perdeu completamente
Por estas vias tortuosas
E clandestinas
Das ruas do centro.
Como um fantasma
De face inexpressiva
Sua voz vacilante
Remete a outras imagens
Que caíram no esquecimento.
Mas um dia
Novamente
Uma provocação insana
Salta da mente
Salta de um lugar
Que deixou de existir.
Esta poeira do tempo
Que penetra fundo
Nos olhos
Ainda incomoda
E todo esquecimento
Não passa de um desejo.
domingo, 18 de novembro de 2012
Lembranças em ruínas
Após a passagem da tempestade
Nada mais resta no chão
Daquilo que foi um dia
E caíram os castelos
E caíram as igrejas
E das ruínas
Nem sobrou a consolação
Como nada mais
Pudesse existir
Como pudesse ter existido
Um dia.
Apagou-se de um dia
Para outro
Carregado pelas águas
De uma consciência indômita
Arrasadora
Que nem mesmo restou
Uma arqueologia possível
Que pudesse compor
Um labirinto de formas
Poeiras de um passado
Que já passou
Escorrendo no ralo.
Nada mais resta no chão
Daquilo que foi um dia
E caíram os castelos
E caíram as igrejas
E das ruínas
Nem sobrou a consolação
Como nada mais
Pudesse existir
Como pudesse ter existido
Um dia.
Apagou-se de um dia
Para outro
Carregado pelas águas
De uma consciência indômita
Arrasadora
Que nem mesmo restou
Uma arqueologia possível
Que pudesse compor
Um labirinto de formas
Poeiras de um passado
Que já passou
Escorrendo no ralo.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Clarão nas areias
Por quanto tempo silenciaram-se
Os canhões e a tempestade de areia
Nos campos de guerra
Das areias sagradas
Que em tempos passados
Foram pisadas pelas sandálias
De Moisés por quarenta anos?
Ainda não se cansaram
Incendiar a noite metálica
Das flechas flamejantes
Explodindo num espetáculo
Pirotécnico
Sem as bandeirinhas
De São João
Pois hoje não é de festa
E há muito quebrou
O cachimbo de barro
Assim a fumaça que sobe
Não é a da paz
A fumaça é a da fuligem
Dos mísseis caindo
Numa chuva ininterrupta
De intolerância.
Os canhões e a tempestade de areia
Nos campos de guerra
Das areias sagradas
Que em tempos passados
Foram pisadas pelas sandálias
De Moisés por quarenta anos?
Ainda não se cansaram
Incendiar a noite metálica
Das flechas flamejantes
Explodindo num espetáculo
Pirotécnico
Sem as bandeirinhas
De São João
Pois hoje não é de festa
E há muito quebrou
O cachimbo de barro
Assim a fumaça que sobe
Não é a da paz
A fumaça é a da fuligem
Dos mísseis caindo
Numa chuva ininterrupta
De intolerância.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Procissão
Aqueles homens carregavam
Nos ombros carregavam
Um andor com o Señor de los Milagros
Em pingas o suor corria
Dos rostos morenos
Vestidos com capas lilases
Um passo à esquerda
Dezoito homens carregavam
Todo o sofrimento do homem pobre
Dos distritos peruanos
Um passo à direita
E arrastavam de um lado
De um lado para outro
Avançavam a passos lentos
Para não chegar a lugar algum
Enquanto na cruz agonizava
Com feridas barrocas
A última esperança
Tão acalentada por todos
Das mulheres que se arrastavam
De costas
Incensando o ar parado
Dos antigos ditadores
Tão adorados.
Tão adorados.
Nos ombros carregavam
Um andor com o Señor de los Milagros
Em pingas o suor corria
Dos rostos morenos
Vestidos com capas lilases
Um passo à esquerda
Dezoito homens carregavam
Todo o sofrimento do homem pobre
Dos distritos peruanos
Um passo à direita
E arrastavam de um lado
De um lado para outro
Avançavam a passos lentos
Para não chegar a lugar algum
Enquanto na cruz agonizava
Com feridas barrocas
A última esperança
Tão acalentada por todos
Das mulheres que se arrastavam
De costas
Incensando o ar parado
Dos antigos ditadores
Tão adorados.
Tão adorados.
domingo, 28 de outubro de 2012
As folhas nem escritas
Os livros que não li ainda
Contam histórias
Em que vivo neste momento.
Prefiro não lê-los nunca
Antes fazer de minha vida
Um drama jamais escrito.
Contam histórias
Em que vivo neste momento.
Prefiro não lê-los nunca
Antes fazer de minha vida
Um drama jamais escrito.
As lágrimas de cera
Naquela saída havia
Velas vermelhas
Apagadas
Em que a cera derretida
Eram lágrimas de uma mulher
Que perdeu o amor
De um amor que nunca teve!
Velas vermelhas
Apagadas
Em que a cera derretida
Eram lágrimas de uma mulher
Que perdeu o amor
De um amor que nunca teve!
O anjo negro
Sem nada fazer
Caminhava pelas ruas
Carregando um saco plástico
Carregando seus sonhos
Muitos deles
Em que acreditava.
Vivia nas ruas
Vivia num abrigo
Da prefeitura
Sem amigos
Nem mulher
Nem um cachorro.
Disse ter conhecimento
Dos segredos das lojas esotéricas
Disse saber da cabala
Disse ter poder nas mãos
Energia que irradiava
Sem que ninguém pudesse ver.
Disse ser um anjo negro
Que caminhava pelas ruas
Que ajudava
Quem trabalhava
Ele próprio
Nunca fez nada.
Caminhava pelas ruas
Carregando um saco plástico
Carregando seus sonhos
Muitos deles
Em que acreditava.
Vivia nas ruas
Vivia num abrigo
Da prefeitura
Sem amigos
Nem mulher
Nem um cachorro.
Disse ter conhecimento
Dos segredos das lojas esotéricas
Disse saber da cabala
Disse ter poder nas mãos
Energia que irradiava
Sem que ninguém pudesse ver.
Disse ser um anjo negro
Que caminhava pelas ruas
Que ajudava
Quem trabalhava
Ele próprio
Nunca fez nada.
domingo, 14 de outubro de 2012
Poesia
Da vivência: minha matéria-prima.
Da imaginação: minha manufatura.
Das palavras: meu suporte.
Para leitor: meu mundo
Aqui ao lado
Quando pequeno no meu quintal tinha uma cerca
de pequenas frestas para o terreno do vizinho
onde morava aquela linda garota que mal sabia meu nome.
Mas de nada adiantava olhar pelas frestas
que nada podia ver, senão poucos movimentos de seu cabelo
brincando com o cachorro no jardim
de pequenas frestas para o terreno do vizinho
onde morava aquela linda garota que mal sabia meu nome.
Mas de nada adiantava olhar pelas frestas
que nada podia ver, senão poucos movimentos de seu cabelo
brincando com o cachorro no jardim
Assim como a vida que pouco se vê além do agora.
Finos cabelos brancos
Hoje, com meus cabelos brancos, sei do tempo que passa
e que não quero deixar deixar passar.
Viver o que não vivi, ser o que não fui
Amar quem deixei de amar.
Tudo por uma única vontade,
daquela época de garoto,
que não sabia do tempo que passava
e que queria deixar passar.
e que não quero deixar deixar passar.
Viver o que não vivi, ser o que não fui
Amar quem deixei de amar.
Tudo por uma única vontade,
daquela época de garoto,
que não sabia do tempo que passava
e que queria deixar passar.
Uma vida a fio
Alguns fazem planos
A respeito de suas vidas
Abaixo dos panos
Nenhum plano
Faço
Para os próximos 5 minutos.
A respeito de suas vidas
Abaixo dos panos
Nenhum plano
Faço
Para os próximos 5 minutos.
As duas vidas cruzadas
São muitos os amores
Que cruzaram minha vida
Uma se chama Losartan
A outra Narcaricina
Pensei um dia
Abandoná-las
Pensei
E minha vida não seria
A mesma
Se depender de mim
Nunca ficarão longe de mim
Se depender delas
Nunca ficarei sem elas.
Que cruzaram minha vida
Uma se chama Losartan
A outra Narcaricina
Pensei um dia
Abandoná-las
Pensei
E minha vida não seria
A mesma
Se depender de mim
Nunca ficarão longe de mim
Se depender delas
Nunca ficarei sem elas.
domingo, 30 de setembro de 2012
Tufando
Em casa, o silêncio solitário
É quebrado apenas pelos gritos agudos do vendaval
E a violenta dança das árvores a segui-lo.
A chuva chega em golpes surdos chacoalhando as janelas.
Ah, o desconforto da vulnerabilidade!
Hoje, a noite é de Lua cheia
Mas, lá fora, apenas a escuridão.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O poeta
Adrenalina do poeta é andar na corda bamba
da realidade à irrealidade,
confundindo os nós que grudam as pontas
de pequenos fios singelos,
tecidos à mão em dia e noite
e retirados das vidas
que se esfacelam diante de seus olhos
impotentes em ação
potentes em suposição
camuflados numa caneta
e recheados duma vontade
de não ter que andar numa corda bamba.
da realidade à irrealidade,
confundindo os nós que grudam as pontas
de pequenos fios singelos,
tecidos à mão em dia e noite
e retirados das vidas
que se esfacelam diante de seus olhos
impotentes em ação
potentes em suposição
camuflados numa caneta
e recheados duma vontade
de não ter que andar numa corda bamba.
O poeta não escolhe
a não ser o pé que vai a frente.
sob o abismo da realidade nua
crua e cozida das dores e dos desamores.
a não ser o pé que vai a frente.
sob o abismo da realidade nua
crua e cozida das dores e dos desamores.
O poeta apenas anda,
na corda bamba
dos fios de sua própria vida
na corda bamba
dos fios de sua própria vida
Que saudades que tive
Que saudades que tive
da sua presença sublime,
de seu toque agraciador
em todos aqueles que necessitam
dum aconchego ligeiro.
Acalma os calores e traz a vida
Que saudades que tive
da chuva de primavera.
da sua presença sublime,
de seu toque agraciador
em todos aqueles que necessitam
dum aconchego ligeiro.
Acalma os calores e traz a vida
Que saudades que tive
da chuva de primavera.
Sopro de gaita
É pelo sopro de uma gaita
que ele suspira a avida.
Em Dó entoa as músicas
que cantam os versos, imemoráveis,
De amores, desamores e não tão amores assim.
Uma pequena gaita prateada
que cabe num bolso,
esquece num só sopro
e muda uma história.
que ele suspira a avida.
Em Dó entoa as músicas
que cantam os versos, imemoráveis,
De amores, desamores e não tão amores assim.
Uma pequena gaita prateada
que cabe num bolso,
esquece num só sopro
e muda uma história.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Mais um
Apenas um
mais
Nessa
corrente sem fim
Sem começo,
nem fim.
E sem
começo nem fim,
Quanto vale
um?
Quanto
valem cem?
Quanto
valem mil?
Vale apenas
um mais
Que no fim
nada vale de mais
Vale apenas
um
Apenas um e
nada mais.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Mil
Mil
não um, nem dois... Mil
Um, zero, zero e zero, que é diferente de
zero, zero, zero e um.
milésimo poema deste blog.
não um, nem dois... Mil
Um, zero, zero e zero, que é diferente de
zero, zero, zero e um.
milésimo poema deste blog.
Kannon sama
Como me mover diante desta compaixão?
Deste grande coração que indiscriminadamente tudo envolve?
Deste grande coração que indiscriminadamente tudo envolve?
Até minha cegueira desordenada,
calibrada no auto-realizar,
duvidosa e cheia de dúvidas.
Alimentada por uma avalanche
sinestésica informada em sociedade.
calibrada no auto-realizar,
duvidosa e cheia de dúvidas.
Alimentada por uma avalanche
sinestésica informada em sociedade.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Rama seca
A rama seca
Ali, à espera das águas de uma primavera inalcançável,
sustentada pela terra, agora quebradiça
e empedrada pelos veios de uma cidade já morta.
Ali, à espera das águas de uma primavera inalcançável,
sustentada pela terra, agora quebradiça
e empedrada pelos veios de uma cidade já morta.
Ah, rama!
És a única vida ali vivendo,
entregue ao movimento dos ventos.
Debaixo d'um céu azul,
não orando, mas sim esperando, apenas,
Que a água volte ao seu útero.
És a única vida ali vivendo,
entregue ao movimento dos ventos.
Debaixo d'um céu azul,
não orando, mas sim esperando, apenas,
Que a água volte ao seu útero.
De pássaros e gatos
Há pássaros que não ficam em gaiolas.
Por mais que o homem pense o contrário,
alguns destes animais foram feitos para voar.
Despreocupados da chuva, do Sol,
do contra-vento e dos gatos.
Por mais que o homem pense o contrário,
alguns destes animais foram feitos para voar.
Despreocupados da chuva, do Sol,
do contra-vento e dos gatos.
Ora, os gatos são bonitos!
Quem dera, assim como me alimentei,
alimentar o gato
da forma naturalmente mais bonita!
Quem dera, assim como me alimentei,
alimentar o gato
da forma naturalmente mais bonita!
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Quando o vento sopra
Descanso minha alma
Que alquebrado plana
Acima dos capins macerados
Pelo sol que amarela
A tarde desaparecendo.
Uma brisa que fresca
Sopra acalma neste instante
Todos os meus tormentos.
Quero ser também o vento
A levantar torvelinhos
Pelos caminhos não andados
Por qualquer pensamento.
Que alquebrado plana
Acima dos capins macerados
Pelo sol que amarela
A tarde desaparecendo.
Uma brisa que fresca
Sopra acalma neste instante
Todos os meus tormentos.
Quero ser também o vento
A levantar torvelinhos
Pelos caminhos não andados
Por qualquer pensamento.
Sem sair do lugar
Nunca pode-se fugir
De si mesmo
Deste lago anoitecendo
Que cada vez mais
Vou caindo
Sem terras em meus pés.
Silêncio é companhia
Que umedece os lábios
Que secaram
Das febres passadas.
Viver é cair profundamente!
De si mesmo
Deste lago anoitecendo
Que cada vez mais
Vou caindo
Sem terras em meus pés.
Silêncio é companhia
Que umedece os lábios
Que secaram
Das febres passadas.
Viver é cair profundamente!
Que faço agora
Pelas janelas infinitas
Abaixo do céu de nuvens
Escuras
Uma mulher de pedra
Dança.
Uma criança por trás
Dos ferros não sorri mais
E parou de brincar.
Mas haverá em algum ponto
Um velho a mastigar
Seu cigarro de palha.
Nada mais importa
Se nenhum sonho
É possível sonhar.
Se amanhã não existe
A manhã se fez neste
Instante!
Abaixo do céu de nuvens
Escuras
Uma mulher de pedra
Dança.
Uma criança por trás
Dos ferros não sorri mais
E parou de brincar.
Mas haverá em algum ponto
Um velho a mastigar
Seu cigarro de palha.
Nada mais importa
Se nenhum sonho
É possível sonhar.
Se amanhã não existe
A manhã se fez neste
Instante!
Caminhante
Sem procurar nada
Caminho sem nada buscar
Senão avançar adiante
Onde levam meus pés
Que jamais caminham
Numa linha reta
Procurando por coisa alguma.
Sem chegar nunca
Nunca sai deste lugar
Nem há onde possa ir
Sou vento soprando
Sou calmaria parando.
Caminho sem nada buscar
Senão avançar adiante
Onde levam meus pés
Que jamais caminham
Numa linha reta
Procurando por coisa alguma.
Sem chegar nunca
Nunca sai deste lugar
Nem há onde possa ir
Sou vento soprando
Sou calmaria parando.
Vaga lembrança
Por onde andava
Andava também
Um restaurante coreano
Quando parei havia
Apenas uma lembrança
Que dissipava-se
Dos amores que se foram.
Visita-me às vezes
Visita-me o restaurante
Coreano.
Andava também
Um restaurante coreano
Quando parei havia
Apenas uma lembrança
Que dissipava-se
Dos amores que se foram.
Visita-me às vezes
Visita-me o restaurante
Coreano.
As árvores
Estes galhos enegrecidos
Avançam seus braços
Sobre os carros
Que trafegam neste instante.
Sem consolo algum
Numa abraço de morte
E sugando a seiva de sangue
Dos homens
Só verde ficou
Manchando o chão
De asfalto.
Avançam seus braços
Sobre os carros
Que trafegam neste instante.
Sem consolo algum
Numa abraço de morte
E sugando a seiva de sangue
Dos homens
Só verde ficou
Manchando o chão
De asfalto.
O destino tomado
Numa encruzilhada havia
Uma vela vermelha
Numa encruzilhada havia
Toda indecisão
Que direção tomar
Por isso ficou a chorar
Que decisão tomar
Não tomou
A velha queimou
E a vida se foi
Num soprar do vento
De um vento ladino.
Uma vela vermelha
Numa encruzilhada havia
Toda indecisão
Que direção tomar
Por isso ficou a chorar
Que decisão tomar
Não tomou
A velha queimou
E a vida se foi
Num soprar do vento
De um vento ladino.
No cal da desilusão
Pulsa incessantemente
No pulmão de cimento armado
O combustível queimado
Da fuligem dos carros
Que também pulsa
Em minha caixa de máquinas
Que falha a cada instante
Desta vida curta
Que só vale a pena
A vagabundagem poética
Das esquinas de minha
Cidade!
No pulmão de cimento armado
O combustível queimado
Da fuligem dos carros
Que também pulsa
Em minha caixa de máquinas
Que falha a cada instante
Desta vida curta
Que só vale a pena
A vagabundagem poética
Das esquinas de minha
Cidade!
Soprar pelos cantos
Que politicamente
Incorreto
Seja uma contradição
Destes tempos
Em que os ventos
Em desalinho
Procurem pelos cantos
Um caminho
Possível.
Incorreto
Seja uma contradição
Destes tempos
Em que os ventos
Em desalinho
Procurem pelos cantos
Um caminho
Possível.
Quando nada mais diz
O que restou das formas
Instaladas
Desta arquitetura
Inventada no passado
Do que uma porção
De palavras que faço uso
Para dizer tão pouco?
Sombra de uma pedra
Que rolou com a água
Mas a insolência
Insiste em ficar.
Instaladas
Desta arquitetura
Inventada no passado
Do que uma porção
De palavras que faço uso
Para dizer tão pouco?
Sombra de uma pedra
Que rolou com a água
Mas a insolência
Insiste em ficar.
Vivo agora
Foi por um lapso passageiro
Que passou em minha vista
Um risco vermelho
Que pensei ter sido
O passado de minha vida.
Mas não tenho lembrança
Alguma
Nem foto antiga
Nem história para
Contar.
Nasci neste mesmo
Momento
Que passei a me esquecer
Quando foi isso!
Quanto ao futuro
Que bobagens pensar
Naquele que não sei
Se pode acontecer.
Que passou em minha vista
Um risco vermelho
Que pensei ter sido
O passado de minha vida.
Mas não tenho lembrança
Alguma
Nem foto antiga
Nem história para
Contar.
Nasci neste mesmo
Momento
Que passei a me esquecer
Quando foi isso!
Quanto ao futuro
Que bobagens pensar
Naquele que não sei
Se pode acontecer.
Amigo do vento
Pelas vias mais simples
Simplesmente deixei a vida passar
Passou por uma porta
Pela outra também
E ninguém mais pode segurar
A areia fina esvaindo-se
Pela boca de um funil
O guizo que toca nesta hora
Soprado pelo vento
Só toca agora
Só toca neste momento.
Simplesmente deixei a vida passar
Passou por uma porta
Pela outra também
E ninguém mais pode segurar
A areia fina esvaindo-se
Pela boca de um funil
O guizo que toca nesta hora
Soprado pelo vento
Só toca agora
Só toca neste momento.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
A vida escapando...
Que mais vale a pena
Viver na certeza
De que nada mais vale a pena
Do que viver na incerteza
De que nada mais fica
Em estado sólido
Nas palmas
Sem que
Escorra
Entre
Os dedos.
Viver na certeza
De que nada mais vale a pena
Do que viver na incerteza
De que nada mais fica
Em estado sólido
Nas palmas
Sem que
Escorra
Entre
Os dedos.
domingo, 26 de agosto de 2012
No cal da desilusão
Pulsa incessantemente
No pulmão de cimento armado
O combustível queimado
Da fuligem dos carros
Que também pulsa
Em minha caixa de máquinas
Que falha a cada instante
Desta vida curta
Que só vale a pena
A vagabundagem poética
Das esquinas de minha
Cidade!
No pulmão de cimento armado
O combustível queimado
Da fuligem dos carros
Que também pulsa
Em minha caixa de máquinas
Que falha a cada instante
Desta vida curta
Que só vale a pena
A vagabundagem poética
Das esquinas de minha
Cidade!
Eu e a chuva
Nestes dias de chuva
Derrama sobre as calçadas
Um frescor cristalino
Que esfria de vez
Todo calor que ainda sinto
Na transparência dos sentimentos
Que tal qual folhas secas
Jaz nos canteiros
Cada vez mais gelado
Os membros
Os galhos enegrecidos
Destas árvores urbanas
Pendem num só lamento.
Derrama sobre as calçadas
Um frescor cristalino
Que esfria de vez
Todo calor que ainda sinto
Na transparência dos sentimentos
Que tal qual folhas secas
Jaz nos canteiros
Cada vez mais gelado
Os membros
Os galhos enegrecidos
Destas árvores urbanas
Pendem num só lamento.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Nada mais se detém
Quando nada mais fica na memória
Nada mais tem importância
Naquilo que poderá ser.
Sem impedimento
A água cristalina
Corre no lado descendente
De uma montanha lisa
Quem pode segurar
A fluidez de uma nuvem
Destas flutuantes
Vagabundeando nas tardes
De primavera
A primavera também
É uma mulher
Envelhecida!
Nada mais tem importância
Naquilo que poderá ser.
Sem impedimento
A água cristalina
Corre no lado descendente
De uma montanha lisa
Quem pode segurar
A fluidez de uma nuvem
Destas flutuantes
Vagabundeando nas tardes
De primavera
A primavera também
É uma mulher
Envelhecida!
Vida instantânea
Em minha companhia
Apenas o vento soprando
Que alegria
Nada fazer do que
Nada fazer
Senão ventar junto
Com o sopro
Desta vida
Temporária
Que vivo
Apenas
Neste momento.
Apenas o vento soprando
Que alegria
Nada fazer do que
Nada fazer
Senão ventar junto
Com o sopro
Desta vida
Temporária
Que vivo
Apenas
Neste momento.
domingo, 29 de julho de 2012
Rodopiando
Por um instante sequer
Naveguei em terras estranhas
Nestas longínquas miragens
Em que divisa
A vista em que alcança
Nem precisei ir tão longe
Pois nunca saí do lugar
Em que sempre fiquei
Ainda que estivesse
Nas geleiras de Patagônia
Em que os marrecos escurecem
Ao anoitecer
E os peixes imóveis
Morrem nas águas salgadas
Das lágrimas dos desesperados.
Onde quer que vá
Não dou um passo adiante
E continuo rodando
Em voltas rodopiando
Como um dançarino turco
Do culto do sufi.
Onde quer que vá
Sempre estarei
Nadando na bolsa plástica
De plasma
De placenta transparente
E assistindo sempre
O mundo que me chega
Em imagens de fogo
De fogo que queima
Do fogo que ainda arde
Arde e incendeia.
Não poderia ser
Diferente
Nem seria...
Naveguei em terras estranhas
Nestas longínquas miragens
Em que divisa
A vista em que alcança
Nem precisei ir tão longe
Pois nunca saí do lugar
Em que sempre fiquei
Ainda que estivesse
Nas geleiras de Patagônia
Em que os marrecos escurecem
Ao anoitecer
E os peixes imóveis
Morrem nas águas salgadas
Das lágrimas dos desesperados.
Onde quer que vá
Não dou um passo adiante
E continuo rodando
Em voltas rodopiando
Como um dançarino turco
Do culto do sufi.
Onde quer que vá
Sempre estarei
Nadando na bolsa plástica
De plasma
De placenta transparente
E assistindo sempre
O mundo que me chega
Em imagens de fogo
De fogo que queima
Do fogo que ainda arde
Arde e incendeia.
Não poderia ser
Diferente
Nem seria...
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Pretérito perfeito
O que sobrou de ontem
Senão um monte de cinzas
Que ainda quentes estão
Podem queimar profundamente
E marcar a pele
Numa queimadura
De segundo grau.
Não mexa naquilo que
Descansa
Numa dança imóvel
Do vento.
Senão um monte de cinzas
Que ainda quentes estão
Podem queimar profundamente
E marcar a pele
Numa queimadura
De segundo grau.
Não mexa naquilo que
Descansa
Numa dança imóvel
Do vento.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Liberdade da incerteza
Um pássaro,
quando preso,
Não é da
pela liberdade que canta em solidão
Atrás das
grades que lhe impõe o nome “lar”.
É pela
incerteza que a ave chora,
Canta
amargamente.
Confinado
num mundo programado
Cheio de
certezas, metódicas como um relógio,
Sequenciais,
intermináveis,
Ininterruptas
e infalíveis.
Ah! A
certeza.
Não há nada
mais repugnante que a certeza,
Para um
pássaro de horas marcadas,
Que sabe
onde, quando e como vai morrer.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Fuga de si mesmo
Nada pode ser mais
Fugaz
Do que o fim do gás
De uma emoção
Que se tornou
Ultrapassada
Motivo de risada
Dos que ignoram
Toda miséria
De suas existências
De um mundo que tem
Razão
Mas sucumbe
De um mal maior
Esquizofrenia.
Fugaz
Do que o fim do gás
De uma emoção
Que se tornou
Ultrapassada
Motivo de risada
Dos que ignoram
Toda miséria
De suas existências
De um mundo que tem
Razão
Mas sucumbe
De um mal maior
Esquizofrenia.
Uma ausência...
Dos amores passageiros
De passagem ficaram
De passagem se foram
Em instantes!
Mas algo ficou
Para não se ir
Jamais
Uma tristeza
Que insiste
Criar morada
Em minha casa.
De passagem ficaram
De passagem se foram
Em instantes!
Mas algo ficou
Para não se ir
Jamais
Uma tristeza
Que insiste
Criar morada
Em minha casa.
Sombras da memória
Como se saltassem do passado
São rostos embranquecidos
De fantasmas
De rugas e formas
Que não se reconhecem mais
Nem estima
Daquilo que agora
Invadem meu quarto
Guardado pelas chaves
Fazem sentido.
Assim visito
Com cautela
Um álbum de retratos.
São rostos embranquecidos
De fantasmas
De rugas e formas
Que não se reconhecem mais
Nem estima
Daquilo que agora
Invadem meu quarto
Guardado pelas chaves
Fazem sentido.
Assim visito
Com cautela
Um álbum de retratos.
domingo, 22 de julho de 2012
Encaixe
O que são os encaixes?
Nesse mundo, as coisas sempre devem encaixar-se, quase como
regra.
Uma busca infiel, por uma vida encaixada, que possa ter todas as suas frestas e arestas completadas por algo, seja a si próprio, seja o outro.
Uma busca infiel, por uma vida encaixada, que possa ter todas as suas frestas e arestas completadas por algo, seja a si próprio, seja o outro.
As coisas devem ser sempre encaixadas para que sejam satisfatórias. Sempre deve haver um encaixe inverso, seu complementar, naquela forma ideal.
Onde encontrar este complemento?
A luz encontra a escuridão, o vermelho encontra o ciano, o bule encontra a água e a colher encontra o mel.
Eu? Eu encontro a própria vida, refletida num papel em
branco diante do meu rosto.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Vida Aventureira
Ah! O peso destruidor que esta vida mal vivida me presenteou.
Amarrado à uma cadeira que só tem quatro pernas, numa mesa de canto, onde apoio textos centopéiecos que me lançam numa explosão de sensações e vontades curiosas.
Amarrado à uma cadeira que só tem quatro pernas, numa mesa de canto, onde apoio textos centopéiecos que me lançam numa explosão de sensações e vontades curiosas.
Ah! A vontade de correr para um destino que ainda não sei, com os pés descalços na orla da mais isolada das praias, longe daqui, onde a rua corta meus dedos.
Mas tudo isso não passa de um sonho de olhos abertos e que estão vidrados nas histórias daqueles meus heróis que puderam caminhar o mundo e fazê-lo suas casas.
Querer ser como eles me trás o medo de ser como eles, desbravadores e incertos quanto seus finais.
Quem diria eu, poder não saber onde cair morto.
Amigos e diferentes
Ainda que na maior discordância
Meu amigo
Há de continuar amigo.
Mas se as ideias
Não forem as mesmas
Se as ideias
De longe forem mais
Importantes
Do que as amizades
Então teremos problemas
Sérios problemas
De vaidade
De simples vaidade
Que se alimenta nossa ilusão.
Meu amigo
Há de continuar amigo.
Mas se as ideias
Não forem as mesmas
Se as ideias
De longe forem mais
Importantes
Do que as amizades
Então teremos problemas
Sérios problemas
De vaidade
De simples vaidade
Que se alimenta nossa ilusão.
Forma são
O que forma a formação das formas?
Se algo forma, indubitavelmente por outro foi formado, que anteriormente também formado por um mais, ele foi.
Eu vejo a forma que me forma a partir de sua forma e percebo que eu próprio sou a forma que me forma a partir de sua própria forma. Minha forma é a não forma, formada por uma forma que é a não forma da outra forma, que também é a não forma de uma não forma.
A forma que me forma é a forma que eu formo, que formará e que formarão as formas que sempre serão a não forma de uma única formação.
Eu formo.
Tu forma.
Ele e ela forma.
Nós, forma.
Tu forma.
Ele e ela forma.
Nós, forma.
Tudo é forma, de uma só forma, sendo a não forma a forma desta forma.
Uma nova religião
Sempre a minha verdade
Deve prevalecer
Bem que as outras verdades
Não passam de futilidades
Se comparadas à minha.
Defensor dos bons princípios
Dos direitos dos menos favorecidos
Também dos mais favorecidos
Do direito à vida dos abortados
Do direito à morte dos desenganados
Do direito de não sentir o cheiro do cigarro
Do direito de fumar
Do direito de não sentir fome
Dos direito dos animais
Do direito dos anões em pagar meia passagem
Na sessão do cinema
Do direito dos políticos em negociar
Em causa pública
Em causa própria
Do direito do funcionalismo
Folgar um pouco mais
Do que os que não são gozam
Do mesmo privilégio
Do direito adquirido
Do direito a ser ainda adquirido
Todos falam em direito
Como se houvesse apenas direitos
Se assim fosse
Direito!
domingo, 15 de julho de 2012
Uma questão de tensão
Apenas assistiu
Sem nada entender
Dois adultos discutindo
Seus pontos de vista
Defendendo a verdade
As suas próprias verdades
E assim julgavam ser
Sempre assim
Os donos da verdade
E as guerras começaram
Sempre em nome da verdade
E as guerras santas começaram
Em nome dos santos
Enquanto num canto
Uma criança não sabia
O que no mundo acontecia
Um bombardeio partia
Carregando em suas asas
As almas dos mortos
Por um capricho
Humanamente aceito
Humanamente desprezível.
Sem nada entender
Dois adultos discutindo
Seus pontos de vista
Defendendo a verdade
As suas próprias verdades
E assim julgavam ser
Sempre assim
Os donos da verdade
E as guerras começaram
Sempre em nome da verdade
E as guerras santas começaram
Em nome dos santos
Enquanto num canto
Uma criança não sabia
O que no mundo acontecia
Um bombardeio partia
Carregando em suas asas
As almas dos mortos
Por um capricho
Humanamente aceito
Humanamente desprezível.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Melancólica somente
Será apenas uma palavra
Melancolia
Ou será invenção dos psicanalistas
Ou da pequena burguesia
Será melancolia
Uma palavra bonita
Encontrada num canto
Da página esquerda
De um dicionário
Ultrapassado
Que perdeu validade?
Talvez seja
Algo usado pelos poetas
Desesperados
Pelas palavras criadas
Para tornar a vida
Mais interessante
Incessantemente
Buscada
E perdida.
Melancolia
Por perder
Melancolia
Por achar.
Melancolia
Ou será invenção dos psicanalistas
Ou da pequena burguesia
Será melancolia
Uma palavra bonita
Encontrada num canto
Da página esquerda
De um dicionário
Ultrapassado
Que perdeu validade?
Talvez seja
Algo usado pelos poetas
Desesperados
Pelas palavras criadas
Para tornar a vida
Mais interessante
Incessantemente
Buscada
E perdida.
Melancolia
Por perder
Melancolia
Por achar.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Ao encontro do canto das sereias
Num jogo de damas
Perdi mais do que as pedras
Que não passavam de artimanhas
Para enganar os desavisados
Estes marinheiros de primeira viagem
Que confundem as ondas
As espumas levantando-se
Em cristas de galo
Como fossem sereias
Destas mesmas
Que enganaram Odisseu
Ou deixou-se enganar
Só para beber de suas bocas
Um hálito agradável
Das oliveiras.
domingo, 8 de julho de 2012
Visita ausente
Num canto da janela
A noite vai penetrando
E fria chega
Por cima dos pelos
De um braço
Que apenas descansa
Espera um abraço
Que não chega
O que me esquenta
Continua sendo
Minha blusa velha
Que perdeu a linha
Meu lápis duro
Que me arranha.
A noite vai penetrando
E fria chega
Por cima dos pelos
De um braço
Que apenas descansa
Espera um abraço
Que não chega
O que me esquenta
Continua sendo
Minha blusa velha
Que perdeu a linha
Meu lápis duro
Que me arranha.
Uma dor sentida no frio
Há uma dor que me visita
De manhã
De tarde
De noite
Pudera ser uma dor amorosa
Longe disso
A dor que me assola
É a dor da gota
Que me amola
No pé esquerdo
Isento de romantismo
Isento de qualquer lamento
Uma dor terrena
Epidérmica
Oceânica
Vulcânica
Uma dor desiludida
Pois até a ilusão foi perdida
Nada mais resta
Que salve
Só fica
Uma dor enjoada
Fria e desbotada
Uma dor ordinária
Que nem marca deixa
Senão a sensação
De um imenso vazio
O vazio da dor sentida.
De manhã
De tarde
De noite
Pudera ser uma dor amorosa
Longe disso
A dor que me assola
É a dor da gota
Que me amola
No pé esquerdo
Isento de romantismo
Isento de qualquer lamento
Uma dor terrena
Epidérmica
Oceânica
Vulcânica
Uma dor desiludida
Pois até a ilusão foi perdida
Nada mais resta
Que salve
Só fica
Uma dor enjoada
Fria e desbotada
Uma dor ordinária
Que nem marca deixa
Senão a sensação
De um imenso vazio
O vazio da dor sentida.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Caminhos de pedra
As pedras atiradas pelo chão
Também falam
Numa linguagem silenciosa
Falam a respeito da dureza
Dos corações
Que não mais se emocionam
Nem se dão ao trabalho
De chorar mais.
São de pedra as estátuas
Que enfeitam as praças
Que sentem o calor
Do dia.
É a friagem da tarde
Que tornam
Os que não são de pedra
Frios.
Mais frios do que
O frio desta noite.
Também falam
Numa linguagem silenciosa
Falam a respeito da dureza
Dos corações
Que não mais se emocionam
Nem se dão ao trabalho
De chorar mais.
São de pedra as estátuas
Que enfeitam as praças
Que sentem o calor
Do dia.
É a friagem da tarde
Que tornam
Os que não são de pedra
Frios.
Mais frios do que
O frio desta noite.
A parede branca
Como é silencioso a noite
Em minha sala de leitura
Em que minhas lembranças
Nada mais são
Do que lembranças
Mas que ainda
Não saíram da minha mente
Sou lembrança no presente
Sou o passado reinventado
Nas paredes brancas
De minha existência
Efêmera com certeza
Bolhas de sabão
Subindo acima do portão
Por entre as lanças
E ferros indomados
Sou também a incerteza
Que navega num barco
Furado!
Em minha sala de leitura
Em que minhas lembranças
Nada mais são
Do que lembranças
Mas que ainda
Não saíram da minha mente
Sou lembrança no presente
Sou o passado reinventado
Nas paredes brancas
De minha existência
Efêmera com certeza
Bolhas de sabão
Subindo acima do portão
Por entre as lanças
E ferros indomados
Sou também a incerteza
Que navega num barco
Furado!
Quando o vento dobra
Ainda carrego em meus braços
Os arrozais de Kumamoto
Que ao vento da primavera
Dobravam-se em reverência.
Ainda enterro minhas pernas
Naqueles alagados
Cujo barro tingia de negro
As pernas das velhas
Que curvadas avançavam na vida.
Vistos do alto
Das montanhas dos pinheirais
Somente do arroz
Sinto saudades
Que verdes balançavam
Uma brincadeira
De criança levada.
Os arrozais que sempre
Estarão comigo
Que em suas águas lamacentas
Enterro meu corpo inteiro.
Os arrozais de Kumamoto
Que ao vento da primavera
Dobravam-se em reverência.
Ainda enterro minhas pernas
Naqueles alagados
Cujo barro tingia de negro
As pernas das velhas
Que curvadas avançavam na vida.
Vistos do alto
Das montanhas dos pinheirais
Somente do arroz
Sinto saudades
Que verdes balançavam
Uma brincadeira
De criança levada.
Os arrozais que sempre
Estarão comigo
Que em suas águas lamacentas
Enterro meu corpo inteiro.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Uma vida atrás
Uma fumaça branca
Eis que se ergue
Após o passo dado
Passo dado adiante
E todo esforço
Fora em vão
Como não tinha sido
Outrora
Agora não passa
De um sonho
Que de pouco a pouco
Vai se apagando
E se tornando cinza fria
A se esparramar
Pelos caminhos andados
Caminhos a que não se retorna
E nem saudades fica
Nem um pouco desta saudade
Que incomoda
Esta alma errante
Ignorante por natureza
Teimosa por ser ignorante.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Uma tentativa mal sucedida
Se esquecimento fosse uma palavra
Uma palavra não seria
Mas ainda não seria
Solução
Se esquecer fosse a vontade
Nada disso aconteceria
Nem por vontade
Nem por falta de vontade.
Esquecer é deixar de viver
E apagar um passado
Que existe somente
Nas reminiscências
Mesmo assim
Não poderia ser
Simplesmente esquecido
Como cão abandonado
Após convivência em comum.
Ainda que fosse possível
Não esqueceria
Ainda que as dores passadas
Fossem apenas passadas no tempo
Ainda assim
Não seria desta forma.
Uma palavra não seria
Mas ainda não seria
Solução
Se esquecer fosse a vontade
Nada disso aconteceria
Nem por vontade
Nem por falta de vontade.
Esquecer é deixar de viver
E apagar um passado
Que existe somente
Nas reminiscências
Mesmo assim
Não poderia ser
Simplesmente esquecido
Como cão abandonado
Após convivência em comum.
Ainda que fosse possível
Não esqueceria
Ainda que as dores passadas
Fossem apenas passadas no tempo
Ainda assim
Não seria desta forma.
domingo, 24 de junho de 2012
Pelas ruas pouco conhecidas
Numa esquina estava
Uma moça que levava
Numa mão uma rosa
Uma rosa vermelha
Não sabia quem era
Nem tinha certeza
Nem queria saber
Quem era ela
Era noite funda
Profunda era a incerteza
De minha vida
Vivida unicamente
Naquele momento
Em que via
Uma moça que levava
Uma rosa vermelha...
Uma moça que levava
Numa mão uma rosa
Uma rosa vermelha
Não sabia quem era
Nem tinha certeza
Nem queria saber
Quem era ela
Era noite funda
Profunda era a incerteza
De minha vida
Vivida unicamente
Naquele momento
Em que via
Uma moça que levava
Uma rosa vermelha...
terça-feira, 19 de junho de 2012
Sou o mundo agora
Nem tristeza
Nem alegria
Apenas a respiração
Lenta
A respiração cardíaca
E como companheiro
O silêncio que vai preenchendo
Cada vez mais
A tarde que vai
Se retirar
Neste exato
Momento.
Nem alegria
Apenas a respiração
Lenta
A respiração cardíaca
E como companheiro
O silêncio que vai preenchendo
Cada vez mais
A tarde que vai
Se retirar
Neste exato
Momento.
Pensava ser verdade
Quando acordei
Lavei minha cara
Era uma cara comprada
Numa loja de fantasias
Uma cara de palhaço
Com nariz vermelho
Um palhaço que tinha nome
E assim passou a existir
Que trabalhava
Que vagabundeava
Pelos rincões desta cidade
Um palhaço que pensava
Existir
Mas não passava
De uma máscara
Que pensava que a máscara
Era a sua cara
Sua cara?
Todas as caras vendidas
Numa casa de máscaras.
Lavei minha cara
Era uma cara comprada
Numa loja de fantasias
Uma cara de palhaço
Com nariz vermelho
Um palhaço que tinha nome
E assim passou a existir
Que trabalhava
Que vagabundeava
Pelos rincões desta cidade
Um palhaço que pensava
Existir
Mas não passava
De uma máscara
Que pensava que a máscara
Era a sua cara
Sua cara?
Todas as caras vendidas
Numa casa de máscaras.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
As ilusões desta vida
Sorria
Um sorriso aberto
Um Buda sorria
De cima de seu assento
De cima de uma montanha
Sorria
As ilusões deste mundo
De nascimento e morte
De dia e noite
De ventania e calmaria
Dos encontros e partidas
De amor que não passa
De uma palavra inventada
Só para enganar
Os desavisados.
Um sorriso aberto
Um Buda sorria
De cima de seu assento
De cima de uma montanha
Sorria
As ilusões deste mundo
De nascimento e morte
De dia e noite
De ventania e calmaria
Dos encontros e partidas
De amor que não passa
De uma palavra inventada
Só para enganar
Os desavisados.
Atirador de pedras
Atire a primeira pedra
- no pássaro preto.
Atire a segunda pedra
-no pássaro preto.
Cada vez mais ferido ficou
Quem a pedra atirou
O pássaro se foi
O pássaro nunca esteve
O pássaro não passou
De uma ilusão de imagem?
Uma ilusão que pousou
No muro de meu jardim.
- no pássaro preto.
Atire a segunda pedra
-no pássaro preto.
Cada vez mais ferido ficou
Quem a pedra atirou
O pássaro se foi
O pássaro nunca esteve
O pássaro não passou
De uma ilusão de imagem?
Uma ilusão que pousou
No muro de meu jardim.
Noite solitária
Nos olhos entrecortados
A tarde deita-se atrás das nuvens
Num sono agitado
Em que os gatos
Caçam andorinhas
Que despencam dos galhos
Curvos e ressecados
De final de outono.
Quando as luzes acendem-se
Nas lanternas japonesas
Uma brancura leitosa
Começa a derramar-se
Sobre as nossas capas
De uma chuva passada.
E por estes caminhos
Que os pés insistem em pisar
Só pisam em espinhos
Deixando um rastro
Sinuoso de lamentação.
Assim o vento sussurra
Suave canção de minar
Canção que vai morrendo...
A tarde deita-se atrás das nuvens
Num sono agitado
Em que os gatos
Caçam andorinhas
Que despencam dos galhos
Curvos e ressecados
De final de outono.
Quando as luzes acendem-se
Nas lanternas japonesas
Uma brancura leitosa
Começa a derramar-se
Sobre as nossas capas
De uma chuva passada.
E por estes caminhos
Que os pés insistem em pisar
Só pisam em espinhos
Deixando um rastro
Sinuoso de lamentação.
Assim o vento sussurra
Suave canção de minar
Canção que vai morrendo...
domingo, 17 de junho de 2012
Sumiê
Um velho buda
Recriando budas
Com seus pincéis
E sua tinta de carvão
Trabalhando em sua solidão
Com toda a grande Terra
E os seres sencientes
Sob a estrela da manhã
Um velho buda
E sua tinta de carvão
Recriando budas
Com seus pincéis
E sua tinta de carvão
Trabalhando em sua solidão
Com toda a grande Terra
E os seres sencientes
Sob a estrela da manhã
Um velho buda
E sua tinta de carvão
Um fado cantado
Numa janela havia
Uma triste melodia
De um país distante
Além destes mares
De saudade chorava
Era Amália Rodrigues
Que se afogava
Nas beiras do Tejo.
Uma triste melodia
De um país distante
Além destes mares
De saudade chorava
Era Amália Rodrigues
Que se afogava
Nas beiras do Tejo.
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